E passamos os 5 anos!

Dia 13 de outubro completei 5 anos da última quimio. Um marco para ser comemorado, mas a comemoração ficou em stand by enquanto eu fazia os exames de acompanhamento e me preparava para o Bat Mitzvah da Lau. Os exames deram que está tudo bem, meu pai está ótimo e o Bat foi então um super marco. Queria ter feito um brinde ontem, mas não consigo, só de tentar falar sobre esse sentimento, choro um monte. Quando subimos ao palco junto com as meninas e cantamos o Shehecheyanu, foi díficil segurar. Sempre que eu penso no Shehecheyanu, que é um agradecimento por ter chegado ao dia de hoje, desabo em lágrimas de emoção. Então ontem senti a emoção e a gratidão por ter vivido estes 5 anos, por ter a companhia do meu pai e juntos vermos a minha filha passar por este ritual.

Este semestre voltei a dançar. Achei um grupo de dança circular que está me fazendo muito bem. No primeiro encontro, me dei conta que tinha dançado a vida toda até engravidar. Parei porque me dava enjoo. Depois porque tinha um bebê, depois porque tinha outro, depois porque não dava tempo, porque se eu não estava trabalhando tinha de estar com as crianças. E agora me dei conta de que este movimento de volta a algo que me dá tanto prazer coincidiu com o momento de maioridade da Lau.

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Minha mãe faria 70.

Hoje está difícil trabalhar. Além de estar esgotada (trabalho+2 dias no hospital com meu pai+tensão esperando o resultado da nova biópsia dele), 10 de março é aniversário da minha mãe. Hoje ela faria 70 anos. Como ela seria? Parecida com a minha avó nesta idade? Estaria no hospital cuidando do meu pai?

Nos dois dias que passei no hospital, tivemos vários momentos família. A filha de uma prima estava internada no mesmo corredor, então falei mais com as minhas primas nestes dois dias que nos 10 anos anteriores. Vontade de voltar a ter uma vida familiar mais intensa, apesar das nossas diferenças de estilo. Coisas que me incomodavam muito aos 20 e poucos e que  hoje me parecem no máximo engraçadas.

Ao mesmo tempo, uma prima de 26 está terminando a quimioterapia e virou estrela do Facebook relatando o tratamento. Nesta semana também li um post do Samir Chopra contando da mãe dele, que morreu de câncer de mama na mesma época que a minha. Confesso que deu vontade de fazer uma postagem pública, mas como evito me expor, estou escrevendo aqui para ver se a vontade passa…

Há três semanas comemorei a minha chegada aos 45, mais uma barreira  ultrapassada!  Próxima meta,  46 😉

 

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Quarentena pós cirurgia

Hoje completo quatro anos da mastectomia e 23 dias pós histerectomia e anexectomia bilateral – mais termos para o meu glossário 🙂

A cirurgia correu bem, 24 horas sem sair da cama, praticamente só dormindo, e depois aos poucos voltando a me mexer. Não foi bem como uma cesária, ou talvez como uma cesária aos 44, que deve ser bem diferente de uma aos 34. Tive mais dor e uma sensação de tudo remexido dentro de mim. E não tinha um bebezinho lindo ao lado me fazendo esquecer da dor! Aliás, as crianças foram me ver no hospital e a primeira coisa que a Laura pediu foi para ver o útero. Ficou muito decepcionada de ele não estar ali do meu lado…

O Marcelo ficou comigo na primeira noite, a Diana veio de manhã, depois a Edith. Passei boa parte da tarde sozinha até o Paulo chegar e depois a Priscila para dormir. Na quarta-feira passei o dia inteiro sozinha, baixou aquela depressão de ter a família tão pequena. Fiquei assistindo “Modern Family”, lendo, dormindo e tomando remédios. Quinta vim para casa. A ginecologista pediu para eu ficar e um andar só da casa nos primeiros 10 dias, então montamos uma mesa na sala de cima para eu poder comer e trabalhar. Estou trabalhando nela até agora 😉

Na sexta fiquei sozinha à tarde e de novo entrei em crise, chorei um monte, ficava pensando em quem eu podia chamar para cuidar de mim. Por mais que o Marcelo se esforce, não basta, nesta hora eu quero mãe, irmã, amiga íntima. E cadê?  No sábado, para compensar, passei  o dia no telefone com minhas amigas de fora ligando, família, etc. Domingo recebemos visitas de amigos e aí a rotina foi entrando nos eixos.

Já posso circular, fui trabalhar dois dias (com o Marcelo levando e buscando) e comecei a dar umas voltas no quarteirão. É incrível como o corpo perde condicionamento rápido – no primeiro dia dei duas voltas no quarteirão e voltei com os músculos como se tivesse participado de uma corrida. A meta é ir e voltar segunda do IME sozinha.

Quando comparo com  a outra cirurgia,  me sinto fisicamente bem melhor. Ah, os exames não deram nada, o polipo era enorme, mas benigno. Só que estou com a sensação de que a rede de apoio está bem menor. Acho que parte da minha família nem ficou sabendo da cirurgia. Meu pai e a Edith não têm mais condições de me ajudar. Da outra vez tinha um monte de gente se oferecendo para ficar com as crianças, para eles foi uma festa.

A melhor que eu ouvi foi da minha amiga de NY, quando eu disse que queria que ela estivesse aqui cuidando de mim. Ela disse: “Eu não, eu queria que você estivesse aqui passeando comigo!”. Verdade, eu também preferia estar passeando em NY com ela…

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A crise dos quatro anos.

Exames feitos, histeroscopia e vários outros, meu sangramento não era menstruação 😦

O espessamento do endométrio que aparecia no ultrassom não era um simples espessamento, mas um pólipo que ocupava toda a cavidade uterina, que no meu caso é enorme. Muitos médicos (além da gineco e do oncologista, passei por cardiologista e vascular)  e exames depois, amanhã cedinho vou pra faca de novo. Depois dos peitos, agora vão os ovários e o útero.  Três dias no hospital e depois mais uns 10 esperando o resultado do anatomopatológico.  A maior probabilidade é o tal pólipo ser benigno e a cirurgia só preventiva. Mas de novo, 99% não é 100%.  Na melhor das hipóteses, vou ter de ver os resultados de uma menopausa drástica precoce. Eu achava que já tinha passado por isso, mas com os exames descobri  que meus hormônios ainda estavam circulando, por isso tinha sido tão tranquilo…

Neste dois meses passei por momentos de tranquilidade e de depressão profunda. Não sei como o Marcelo aguenta. Nas últimas semanas estou um pouco melhor, mas inquieta. E nos últimos dois dias a cabeça começou a rodar e fazer conexões que eu preferia não ter feito. Minha mãe e minha avó materna tiveram a evolução da doença idêntica: três anos tranquilos após a cirurgia, recidiva no quarto ano e morreram ao completar quatro anos do primeiro diagnóstico. Já minha avó paterna, morreu do coração perto de  completar quatro anos do diagnóstico. Eu completei quatro anos  na semana passada. Superei mais esta marca. Agora quero completar cinco, depois seis, depois sete, um de cada vez. Agora pouco a Lau estava me falando dos dois filhos gêmeos que ela pretende ter aos 28 anos e nós estávamos discutindo se eu seria uma boa avó. Quem viver verá 😉

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E cheguei aos 44!

No ano passado fiquei deprimida, afinal, minha mãe morreu aos 43. Este ano estou bem mais tranquila, as férias foram maravilhosas e para completar, não estou dando aulas este semestre, então estou aproveitando para tentar por a vida em dia. Cheguei bem ao meu aniversário.

Enquanto isso, meus exames de rotina mostraram um espessamento do endométrio. Esse é um dos efeitos colaterais do Tamoxifeno e pode levar a um câncer de útero. O oncologista pediu para suspender o Tamoxifeno por duas semanas e fazer uma série de exames de sangue e uma histeroscopia. A ginecologista sugeriu que talvez seja necessário remover o útero e os ovários.

A histeroscopia ainda não consegui fazer, está marcada para maio. Os exames de sangue eu fiz há uns 10 dias.  E aí, surpresa: uma semana após os exames, tive um sangramento. Primeiro bateu o desespero, já imaginei uma lesão no endométrio. Depois prestei atenção e senti uma coliquinha conhecida. Aí fui checar os exames de dosagem hormonal e ao invés de níveis compatíveis com a menopausa, como os anteriores, deram compatíveis com pico ovulatório! Bem, fiquei menstruada, depois de 3 anos e meio!  Parece que a menopausa era temporária e induzida pelo remédio.

Dá uma sensaçãozinha boa saber que o corpo ainda funciona. Por outro lado, vou viver todos os sintomas da menopausa de novo quando retomar o Tamoxifeno…

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E quando a gente acha que voltou ao normal…

… percebe que não estava na hora ainda 😦

Fiz todos os exames, passei em todos os médicos, descobri que tinha ficado mais de um ano sem ir na ginecologista (e eu tinha certeza de que tinha ido em julho!), tudo lindo, maravilhoso.

Aí um dia me peguei pensando que se os exames tivessem dado algo, eu teria uma boa desculpa para trabalhar menos, não corrigir as provas, dispensar alguns alunos e obrigações. E a luz vermelha acendeu. Como assim? Preciso ficar doente para me cuidar? Eu, aquela que estava dizendo que nunca mais iria voltar ao estresse de antes? Bom, como os exames não mostraram nada, recorri à psiquiatra que me acompanha há quatro anos, que não precisou de nem 5 minutos para diagnosticar: estafa física e mental.

Pisei no freio. Comecei a dizer não para tudo, com dor no coração. Porque as coisas para as quais eu realmente gostaria de dizer não, eu não posso deixar de fazer. Por enquanto.

Além de trabalho, o que sugou minha energia nos últimos tempos? Reforma e mudança de casa, cachorro novo, saída da moça que trabalhava em casa e principalmente, o fato de o Marcelo ter escrito um livro e começado o doutorado, ou seja, sumido de casa. Acho que em condições normais de pressão e temperatura, daria para levar tudo sozinha, até o cachorro mordendo tudo e todos. Mas como acho que não vou ter condições normais de pressão e temperatura tão cedo, preciso mudar muita coisa na rotina de casa. Diminuir o atrito na rotina com as crianças já faria uma diferença enorme. Ah, se eu não precisasse dar ordens o tempo todo! Na semana passada montei uma checklist da rotina da manhã e institui prêmios para uma semana sem atrasos. Vamos ver se funciona!

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Exames feitos

Bom, fiz a minha parte e hoje praticamente terminei  a bateria de exames. Falta só o dermatológico, em duas semanas.

Resultados só na semana que vem, mas para comemorar o dever cumprido, dispensei o café da manhã gratuito e plastificado do hospital e quebrei 14 horas de jejum com suco verde e bolo de amaranto numa padaria chique nos jardins.

Pausa para ler na livraria e logo mais um almoço com as amigas. Pequenos prazeres da vida!

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